Bangers Open Air 2026: cobertura completa do sábado

O Bangers Open Air 2026 mostrou mais uma vez por que se consolidou como um dos principais festivais de rock e metal da América Latina. Durante os dias 25 e 26 de abril, o Memorial da América Latina recebeu milhares de fãs para uma maratona intensa de shows, encontros históricos e experiências paralelas que transformaram São Paulo na capital do heavy metal durante o fim de semana.

A estrutura do evento novamente chamou atenção de forma positiva. A limpeza esteve presente durante os dois dias, os banheiros permaneceram organizados e a equipe de segurança atuou de maneira eficiente em meio ao grande fluxo de pessoas.

A área de merchandising também seguiu como um dos pontos fortes do festival. Além da loja oficial, o público encontrou diversas lojas de roupas, acessórios, CDs e vinis espalhadas pelo evento. A Horror Expo também marcou presença novamente com ativações temáticas e estandes variados, embora algumas ativações promocionais tenham sido mais discretas do que parte do público esperava.

Outro ponto positivo aconteceu nas tradicionais signing sessions. A organização implementou novas regras que ajudaram a democratizar os encontros com os artistas. Cada pessoa podia participar de no máximo duas sessões, com distribuição de até 100 senhas por banda, permitindo que mais fãs tivessem oportunidade de participar.

O festival também reuniu diversos criadores de conteúdo conhecidos da cena rock e metal como Gusta Hill, Rafael Tonello, Ian Garbinato (O Cara do Metal), Amanda Misturini, Jessica Valentim, Thie Rock, Rodrigo Clark e Andressa Pazinatto, além da presença de Thomas Jensen, cofundador do Wacken Open Air.

Uma novidade interessante no Sun Stage aconteceu nessa edição. O espaço recebeu um upgrade para quem adquiriu o lounge, oferecendo uma área exclusiva mais próxima do palco e um mini bar. Apesar da novidade, o espaço não comprometeu a visão de quem estava na pista comum, algo que gerava preocupação antes do festival.

Outro ponto bastante positivo foi a estrutura voltada ao público PCD. O festival disponibilizou uma área com ótima visibilidade para os shows, além de prioridade nas signing sessions e demais atividades, mostrando uma preocupação importante com acessibilidade.

Outro detalhe interessante foi a grande presença de fotógrafos da plataforma Fotop, oferecendo aos fãs a possibilidade de encontrar registros profissionais do evento posteriormente através da plataforma.

No domingo, principalmente durante as apresentações finais no Hot e Ice Stages, a circulação ficou bem mais complicada devido ao aumento do público, algo perceptível principalmente nas áreas próximas ao lounge.

Ao final de tudo, o festival ainda confirmou oficialmente sua edição de 2027 para os dias 24 e 25 de abril, novamente no Memorial da América Latina.

A cobertura do PlayRock aconteceu graças ao suporte da Agência TAGA e também de Danielle Monteiro, fundamentais para que essa cobertura acontecesse.


A maratona de shows do sábado começou ao meio-dia no Sun Stage com a banda Lucifer e, mesmo sendo a primeira banda a subir ao palco em todo o festival, muita gente já estava presente para acompanhar a apresentação, liderada por Johanna Platow.

Formada em Berlim em 2014, a banda mostrou rapidamente por que vem conquistando espaço dentro do heavy metal atual. Johanna dominou o palco com muito carisma e uma performance marcante, chamando atenção tanto pela presença de palco quanto pela qualidade vocal ao vivo.

O som também ajudou bastante. Diferente de alguns problemas técnicos vistos em outros momentos do festival, o Lucifer teve uma apresentação extremamente limpa e bem executada, permitindo que músicas como “Anubis”, “Riding Reaper”, “Lucifer”, “Bring Me His Head” e o cover de “Goin’ Blind”, do KISS, funcionassem muito bem ao vivo.

O grande encerramento ficou por conta de “Fallen Angel”, que conquistou de vez o público presente logo nas primeiras horas do festival.

Saí do show bastante empolgado e com a sensação de que o festival havia começado da melhor forma possível. Set List


Saindo do Sun Stage, a correria entre os palcos começou cedo para acompanhar o Evergrey no Hot Stage.

Os suecos chegaram ao festival apostando bastante no material do novo álbum “Architects Of A New Weave”, décimo quinto trabalho de estúdio da banda e previsto para ser lançado oficialmente em junho de 2026. Mesmo deixando alguns clássicos de lado, a banda conseguiu entregar uma apresentação bastante sólida e tecnicamente muito competente.

O Evergrey manteve sua identidade mais melancólica e introspectiva, algo que sempre marcou a carreira da banda, e isso ficou evidente durante toda a apresentação.

Visualmente o show foi mais simples quando comparado com outras atrações do dia, mas a performance dos músicos compensou essa ausência de grandes elementos de palco.

O público, no entanto, parecia um pouco mais morno em alguns momentos, talvez justamente pela escolha de priorizar o material mais recente ao invés de investir totalmente em clássicos que poderiam gerar uma resposta ainda maior.

Mesmo assim, foi um bom show e serviu como uma transição interessante antes de um dos momentos mais caóticos do sábado. Set List


De volta ao Sun Stage, chegou a vez de um dos shows mais intensos e caóticos de todo o primeiro dia: Violator. Antes mesmo do festival, o PlayRock já havia conversado com a banda em uma entrevista exclusiva e a promessa de destruição total realmente foi cumprida ao vivo.

Mesmo se apresentando no Sun Stage, que está abaixo do Hot Stage e Ice Stage em estrutura, o público compareceu em peso para prestigiar a banda brasiliense de thrash metal.

Logo no início da apresentação, o vocalista e baixista Pedro Arcanjo resumiu bem o sentimento daquele momento ao declarar: “O underground chegou no Bangers.”

Tocando músicas do álbum mais recente, “Unholy Retribution”, lançado em 2025, além de diversos clássicos da carreira, o Violator transformou o Sun Stage em uma verdadeira zona de guerra com rodas intensas e muita movimentação do público.

Durante o show, Pedro também deixou claro seu posicionamento político ao criticar figuras como Donald Trump, Jair Bolsonaro, a extrema direita e o racismo, além de mencionar as mais de 700 mil mortos pela pandemia no Brasil

Ao perceber algumas pessoas incomodadas com suas falas, respondeu de forma direta no microfone: “Foda-se, não estamos nem aí.”

O encerramento foi tão intenso quanto o restante da apresentação. Antes de deixar o palco, Pedro ainda se jogou na galera e fechou um dos shows mais explosivos e autênticos de todo o festival.

Saí do Sun Stage satisfeito e com a sensação de ter assistido um dos grandes shows do sábado. Set List


A correria continuou novamente até o Hot Stage para acompanhar o Jinjer.

Serei sincero: o Jinjer não é exatamente uma banda que conversa muito comigo, mas seria injusto ignorar a força que eles tiveram ao vivo dentro do festival.

Em meio ao tradicional mar de camisetas pretas do Bangers Open Air, Tatiana Shmayluk chamou atenção logo de cara ao subir no palco com um vestido rosa que contrastava completamente com o ambiente.

O visual chamativo foi apenas um detalhe perto da performance entregue pela vocalista. Tatiana dominou completamente o público com extrema naturalidade, alternando momentos melódicos com guturais agressivos durante praticamente toda a apresentação.

A banda mostrou muita precisão instrumental e encontrou um público bastante receptivo no Hot Stage, que respondeu com energia durante boa parte do show.

mesmo não sendo uma banda que acompanho com frequência, saí da apresentação reconhecendo que eles possuem potencial real para ocupar posições ainda maiores dentro do festival nos próximos anos, talvez até mesmo como headliner futuramente. Set List


Na sequência, chegou a vez do Killswitch Engage retornar ao festival após sua passagem pelo Summer Breeze Brasil em 2024.

Diferente da apresentação anterior, a banda desta vez não trouxe a mesma estrutura grandiosa e nem os efeitos de pirotecnia vistos na edição passada, o que acabou gerando uma diferença perceptível para quem acompanhou os dois shows.

Mesmo assim, o grupo norte-americano mostrou por que continua sendo um dos nomes mais respeitados do metalcore.

o público respondeu melhor em momentos específicos, mas quem estava presente aproveitou bastante cada música.

O guitarrista Adam Dutkiewicz novamente roubou atenção com seu tradicional bom humor e apareceu usando uma bandeira do Brasil como capa durante a apresentação, arrancando reações positivas do público.

A banda também demonstrava estar muito feliz em retornar ao país e isso ficava evidente pela energia no palco.

O grande encerramento ficou por conta do clássico “Holy Diver”, eternizado por Ronnie James Dio, e até mesmo os fãs mais veteranos entraram no coro durante a música.

Mesmo sem o impacto visual da apresentação anterior, foi um show divertido. Set List


Com o fim do Killswitch Engage, boa parte do público já se movimentava para acompanhar um dos shows mais aguardados do sábado: Black Label Society.

O Hot Stage estava cheio de fãs vestindo coletes e camisetas da banda, enquanto o palco chamava atenção por sua estética dominada pelas cores vermelha e preta, criando um visual bastante impactante antes mesmo da banda subir ao palco.

Particularmente, nunca fui um grande fã dos vocais de Zakk Wylde tentando remeter ao estilo de Ozzy Osbourne, mas ao vivo o Black Label Society conseguiu entregar momentos bastante interessantes.

O público respondeu muito bem durante toda a apresentação e alguns momentos emocionais ajudaram a fortalecer ainda mais o show. O cover de “No More Tears”, clássico de Ozzy Osbourne, foi recebido com entusiasmo pelos fãs presentes e serviu como um dos pontos altos da apresentação. Outro momento bastante marcante aconteceu durante “In This River”, dedicada por Zakk aos irmãos Dimebag Darrell e Vinnie Paul, arrancando uma resposta emocional bastante forte do público.

Mesmo não sendo uma banda que me conquista totalmente em estúdio, ao vivo o Black Label Society entregou um show visualmente muito forte e bastante eficiente dentro da proposta, Zakk Wylde sabe o que faz!. Set List


Saindo rapidamente do Hot Stage, a correria levou novamente ao Sun Stage para acompanhar um dos shows mais divertidos de todo o festival: Tankard.

A última passagem da banda pelo Brasil havia acontecido em 2019 e existia uma expectativa considerável dos fãs de thrash metal para esse retorno. O Sun Stage estava bastante cheio e desde os primeiros minutos ficou claro que seria uma apresentação sem qualquer pausa para respiro.

A banda simplesmente despejou uma sequência direta de clássicos do bom e velho thrash metal, mantendo o público em constante movimentação durante praticamente todo o show.

As rodas punk surgiam o tempo inteiro e até mesmo alguns sinalizadores apareceram no meio do público. Mesmo sendo proibidos, acabaram criando uma cena caótica que combinava perfeitamente com a energia da apresentação.

Um detalhe curioso foi a presença de uma pessoa circulando pelo público com uma placa escrita “mosh pit”, incentivando ainda mais a movimentação durante o show.

A reta final da apresentação foi com “A Girl Called Cerveza”, “Chemical Invasion” e “Zombie Attack”, sequência que levou o público ao limite antes do encerramento com “(Empty) Tankard”. Set List


Após o caos divertido do Tankard, foi hora de dar um pulo no Waves Stage para acompanhar o retorno do Hangar. E sinceramente, o show serviu como um grande lembrete de como a banda entrega qualidade e continua sendo subestimada por muita gente dentro do próprio Brasil.

Já haviam se passado cerca de oito anos desde a última reunião da banda para uma apresentação desse porte e a expectativa era alta entre os fãs mais antigos. Antes do Bangers Open Air, o grupo ainda realizou apresentações em Porto Alegre e Nova Friburgo como preparação para esse reencontro.

O PlayRock também conversou com Pedro Campos antes do festival e a expectativa criada em torno da apresentação foi totalmente correspondida ao vivo.

Mesmo com um pequeno atraso no início do show, nada chegou a comprometer a apresentação.

O palco entregue para a banda era completamente digno e a sinergia entre os músicos chamou bastante atenção durante toda a performance.

Faixas como “Call Me in the Name of Death”, “Dreaming of Black Waves” e “The Reason of Your Conviction” ajudaram a reforçar o peso da apresentação.

Foi um daqueles shows que fazem você sair pensando como uma banda desse nível ainda recebe tão pouco reconhecimento dentro do próprio país. Set List


Fechando o primeiro dia no Hot Stage, chegou a vez de um dos shows mais aguardados de todo o sábado: Arch Enemy.

Antes mesmo da banda subir ao palco, um enorme pano com a frase “Pure Fucking Metal” já aumentava ainda mais a expectativa do público. Pouco depois, “Ace of Spades”, clássico do Motörhead, começou a tocar nos alto-falantes, criando um clima semelhante ao que o Iron Maiden costuma fazer com “Doctor Doctor”, do UFO, antes de seus shows.

Assim que o pano caiu, a banda iniciou a apresentação com “Yesterday Is Dead and Gone” e mostrou rapidamente por que era uma das atrações mais aguardadas do festival.

A nova vocalista Lauren Hart claramente demonstrava felicidade por estar naquele palco e esbanjou simpatia durante toda a apresentação, além de entregar uma performance vocal realmente forte.

O palco contava com pirotecnia e visual de headliner, mas infelizmente alguns problemas técnicos impediram que o impacto fosse ainda maior.

Durante boa parte da apresentação, a bateria de Daniel Erlandsson acabou ficando alta demais na mixagem e, em vários momentos, engoliu parte das guitarras e do baixo. Mesmo com esse problema, o público permaneceu completamente entregue ao show.

“My Apocalypse” e “Nemesis” foram alguns dos momentos de maior explosão do público, mas foi muito interessante ver que a banda também abriu espaço para músicas da fase de Johan Liiva, com faixas como “Ravenous” e “Snow Bound”.

Mesmo com os problemas técnicos, o Arch Enemy entregou um show gigantesco e um encerramento extremamente forte para o primeiro dia do festival.

Ao final da apresentação, o telão ainda exibiu as cores da bandeira brasileira com a mensagem “Tamo junto, Brasil!”, encerrando o primeiro dia de festival de forma grandiosa. Set List