Se o sábado já havia mostrado como o Bangers Open Air 2026 é o festival mais metal do Brasil, o domingo elevou ainda mais a sensação de grandiosidade do festival.
O Memorial da América Latina recebeu um público ainda maior no segundo dia e isso ficou perceptível principalmente nas áreas próximas ao Hot Stage e Ice Stage durante as apresentações finais, tornando a circulação bem mais complicada em determinados momentos.
Mesmo com o aumento do público, a organização continuou funcionando bem em pontos importantes como limpeza, segurança e alimentação, enquanto os palcos seguiram entregando uma maratona intensa de apresentações que passaram pelo power metal, hard rock, metal sinfônico, metal moderno e o show histórico com o Angra como encerramento.

E a maratona de shows do domingo começou no Sun Stage com os austríacos do Visions of Atlantis ás 12h00
Com uma proposta extremamente teatral e divertida, a banda rapidamente conquistou o público presente. O visual inspirado no universo pirata funcionou muito bem ao vivo e ajudou a transformar a apresentação em algo ainda mais imersivo.
Clémentine Delauney e Michele Guaitoli demonstraram ótima química no palco e souberam conduzir muito bem a interação com o público, alternando momentos mais performáticos com passagens mais melódicas.
Mesmo para quem ainda não conhecia tanto o trabalho da banda, o show funcionou muito bem e acabou sendo uma das surpresas mais agradáveis de todo o festival.
Foi o tipo de apresentação que fez muita gente sair dali querendo ver a banda novamente em uma futura turnê solo pelo Brasil. Set List
Sem muito tempo para descanso, a correria entre os palcos continuou até o Hot Stage para acompanhar os alemães do Primal Fear.
A banda chegou ao festival apostando em músicas do novo álbum “Domination”, mas sem deixar os clássicos de lado, equilibrando bem o repertório para agradar diferentes fases do público.
“Nuclear Fire” e “Chainbreaker” foram alguns dos momentos que mais levantaram os fãs presentes, mostrando que o power metal tradicional ainda possui uma base extremamente fiel dentro do festival.
Outro ponto bastante positivo foi a recepção calorosa do público para Thalìa Bellazecca, nova guitarrista da banda, além da presença de Dirk Schlächter, baixista do Gamma Ray, que assumiu temporariamente o posto de Mat Sinner, afastado após uma cirurgia na perna.
Foi um show direto, pesado e extremamente eficiente dentro da proposta da banda. Set List


Na sequência, um dos momentos mais aguardados de todo o domingo aconteceu no Sun Stage com Roy Khan.
Mesmo concorrendo diretamente com o Nevermore no Ice Stage, o espaço do Sun Stage também recebeu um grande público para acompanhar o ex-vocalista do Kamelot revisitando a fase que o transformou em um dos nomes mais amados do power metal.
Acompanhado pelos músicos do Seven Spires e contando também com os brasileiros Fabio Caldeira e Juliana Rossi nos backing vocals, Roy entregou uma apresentação extremamente emocionante.
“Center of the Universe” rapidamente levantou o público, mas os momentos mais marcantes ficaram para o dueto com Adrienne Cowan em “The Haunting (Somewhere in Time)” e principalmente “Forever”, cantada em coro por praticamente todo o espaço do Sun Stage.
Foi um daqueles shows que muita gente esperou durante anos para assistir e, no fim, entregou exatamente o que o público queria. Set List


Correndo novamente para o Hot Stage, chegou a vez do Amaranthe e confesso que eu tinha certa curiosidade para entender como o público do festival reagiria à proposta da banda.
Misturando metal moderno com elementos eletrônicos e refrões mais acessíveis, o grupo sueco conseguiu uma resposta bastante positiva do público presente.
Um dos grandes diferenciais da apresentação foi justamente a dinâmica entre os três vocalistas.
Elize Ryd chamou atenção pela presença de palco e pela facilidade em alternar momentos mais voltados ao heavy metal com passagens mais próximas do pop.
Nils Molin comandou muito bem os vocais limpos com seu tenor marcante, enquanto Mikael Sehlin ficou responsável pelos vocais guturais, completando bem a proposta da banda.
O público respondeu à altura e mostrou que havia espaço no festival para sonoridades diferentes sem perder o peso característico do evento. Set List
Na sequência, chegou a vez do Winger subir ao Ice Stage em um show que carregava um fator emocional importante.
Segundo o vocalista Kip Winger, essa poderia ter sido uma das últimas, ou até mesmo a última apresentação da banda no Brasil, o que naturalmente aumentou a expectativa dos fãs mais antigos.
Clássicos como “Seventeen”, “Can’t Get Enuff” e “Miles Away” foram os momentos de maior resposta do público e mostraram o carinho dos fãs pela banda.
O principal problema da apresentação acabou sendo a condução do setlist. Boa parte dos maiores clássicos apareceu logo no início do show e isso acabou tirando parte do impacto da reta final.
Em um festival com horários mais curtos, a escolha por incluir solos individuais de guitarra e bateria também acabou quebrando um pouco o ritmo da apresentação.
Ainda assim, o encerramento com “Easy Come Easy Go” e “Madalaine” conseguiu recuperar parte da energia e entregou um final digno para os fãs mais fiéis da banda. Set List


Mantendo a diversidade musical do domingo, o festival recebeu o projeto Smith/Kotzen no Ice Stage.
Adrian Smith mostrou que está apostando forte em seu projeto ao lado de Richie Kotzen e entregou uma apresentação bastante consistente dentro da proposta mais voltada ao hard rock e blues rock.
Ao lado da dupla estavam os brasileiros: Julia Lage (esposa do Kotzen), que teve uma ótima presença de palco durante toda a apresentação, e Bruno Valverde, que mais tarde ainda retornaria para participar do encerramento histórico do Angra.
O repertório focou nas músicas do próprio projeto e foi muito bem recebido pelo público, com destaque para “Black Light” e “Blindsided”.
Richie Kotzen segue impressionando pelo alcance vocal e pela facilidade com que conduz o show ao vivo.
Confesso que senti falta de “You Can’t Save Me”, música que havia sido executada no show realizado em Curitiba na sexta-feira e que funcionou muito bem por lá, mas isso não chegou a comprometer a apresentação no festival.
Para encerrar, “Wasted Years”, clássico do Iron Maiden, aumentou ainda mais a ansiedade dos fãs brasileiros para os shows da banda em São Paulo no mês de outubro. Set List

A essa altura do domingo, o Bangers Open Air já estava completamente lotado e circular entre os palcos exigia bastante paciência do público, principalmente nas áreas próximas ao lounge e ao Sun Stage.
Mesmo com esse cenário, bastou o Within Temptation subir ao palco para prender completamente a atenção do público presente.
A banda já havia passado pelo Brasil no Summer Breeze Brasil 2024 com uma estrutura ainda maior e uso de pirotecnia, algo que não se repetiu nesta edição. Ainda assim, o palco entregue foi mais do que suficiente para sustentar uma apresentação extremamente competente.
Sharon den Adel dominou completamente o palco com sua presença e sua voz impecável. Sua movimentação constante fazia com que fosse até difícil conseguir uma foto perfeita em alguns momentos, tamanho o quanto ela percorria o palco durante o show.
Vale citar também a mudança recente na formação. Após a saída do tecladista Martijn Spierenburg, a banda oficializou em julho de 2025 a entrada de Vikram Shankar.
O repertório conseguiu equilibrar diferentes fases da carreira, incluindo músicas mais recentes como “Bleed Out” e “Don’t Pray for Me”, além de faixas que há tempos não apareciam com tanta frequência nos shows.
Um dos momentos mais emocionantes aconteceu durante “Paradise (What About Us?)”, quando a imagem de Tarja Turunen apareceu no telão para executar sua participação original na música, levando o público a cantar cada verso em coro.
Outro grande destaque aconteceu em “Faster”, que levantou completamente o público. Um detalhe curioso foi ver Clémentine Delauney, vocalista do Visions of Atlantis, acompanhando o show e curtindo justamente esse momento.
Na reta final, “Ice Queen” trouxe a carga nostálgica que boa parte do público esperava, enquanto “Mother Earth” encerrou a apresentação de forma grandiosa. Set List


Se existia qualquer dúvida sobre uma banda brasileira encerrar o Bangers Open Air 2026 como headliner principal do festival, o Angra tratou de encerrar qualquer discussão da melhor forma possível.
A banda recebeu o maior tempo de palco já concedido para um headliner em todas as edições do festival e aproveitou cada minuto de forma extremamente inteligente.
Dividido em três atos, o show celebrou praticamente todas as fases da história da banda.
O primeiro ato misturou a era de Andre Matos com o período mais recente ao lado de Fabio Lione. Fabio dividiu o palco com o novo vocalista Alirio Netto, que fez sua estreia em grande estilo.
Entre os momentos mais marcantes desse primeiro bloco esteve “Wuthering Heights”, clássico de Kate Bush eternizado na fase inicial da banda e que mostrou Alirio completamente confortável em uma das músicas mais difíceis do repertório.
Outro momento bastante celebrado foi “Carolina IV”, música que não aparecia ao vivo desde 2018 e que foi recebida de forma extremamente calorosa pelo público.
Após esse momento, talvez o trecho mais aguardado da noite finalmente aconteceu com a entrada de Edu Falaschi, Kiko Loureiro e Aquiles Priester no palco.
O Memorial da América Latina simplesmente explodiu durante “Nova Era”, “Heroes of Sand”, “Spread Your Fire” e “Acid Rain”.
Antes de “Bleeding Heart”, parte do público começou a gritar “Calcinha Preta”, em referência ao meme envolvendo a versão brasileira “Agora Estou Sofrendo”, arrancando risadas de muita gente presente.
Na sequência, Edu preparou um dos momentos mais emocionantes da noite ao anunciar “vamos voltar no tempo”.
Quando “Rebirth” começou, centenas de celulares iluminaram o Memorial da América Latina enquanto o público cantava cada verso em coro.

O terceiro ato guardava talvez o momento mais emocionante de toda a noite. Antes de “Silence and Distance”, imagens de Andre Matos tocando piano em uma apresentação em Tóquio apareceram no telão e transformaram o festival em um ambiente completamente emocionante.
O bloco final também marcou oficialmente a despedida de Fabio Lione do Angra e consolidou a chegada de Alirio Netto.
“Carry On” encerrou o festival de forma apoteótica com os três vocalistas dividindo os versos enquanto Bruno Valverde e Aquiles Priester tocavam simultaneamente.
Teve pirotecnia, emoção e absolutamente tudo que um encerramento de festival precisava ter.
O Angra não apenas encerrou o Bangers Open Air 2026. A banda entregou um dos shows mais marcantes de toda a história do festival. Set List

Após dois dias intensos, o Bangers Open Air 2026 encerrou mais uma edição mostrando por que se consolidou como um dos festivais mais importantes da música pesada na América Latina.
Entre retornos aguardados, shows históricos, despedidas marcantes e apresentações que surpreenderam positivamente, o festival entregou uma experiência bastante completa para quem esteve presente no Memorial da América Latina.
Antes mesmo do encerramento oficial, a organização já confirmou a edição de 2027 para os dias 24 e 25 de abril, novamente em São Paulo, deixando claro que o próximo capítulo já começou.