Entrevista: Felipe Andreoli fala sobre reunião do Angra no Bangers Open Air, influências e carreira

O colaborador Augusto Bernadir conversou com Felipe Andreoli, baixista e uma das colunas vertebrais do Angra há décadas. Às vésperas do histórico show de reunião da banda no Bangers Open Air, um evento que reunirá integrantes de diferentes fases da história do Angra no mesmo palco, o músico falou sobre como esse encontro foi possível, relembrou momentos importantes da carreira e comentou suas influências musicais.


O show do Angra no Bangers Open Air promete ser algo muito diferente do que os fãs já viram. Como foi o processo para tornar isso possível, tanto do ponto de vista emocional quanto na parte prática e logística da banda? Muita gente comentou que a ideia poderia ter sido inspirada no que o Helloween fez reunindo vocalistas de diferentes fases. Existe alguma relação?

Cara, não exatamente. É claro que eles são uma referência e o que fizeram é muito admirável. Mas, no nosso caso, acho que foi consequência natural de uma série de conversas e acertos que aconteceram ao longo dos últimos anos.

Tanto na parte prática, de business e dessas coisas, quanto em questões emocionais também. Algumas coisas que eu precisava tirar do peito, que me incomodavam, e que eu resolvi ir atrás para resolver.

Acho que isso acabou criando a base para que, quando a ideia surgiu, quando o Bangers Open Air veio com essa proposta, já existisse um terreno fértil para ela florescer. Isso vale tanto pelo lado do Aquiles e do Edu quanto pelo nosso lado também.

Então foi uma sequência de acontecimentos. Não foi algo planejado do tipo “vamos fazer igual ao Helloween”. Foi algo que acabou acontecendo de forma natural.


Esse momento também coincide com a lembrança do período do álbum Rebirth, que marcou uma fase muito importante para o Angra. Você acredita que essa nostalgia terá um peso especial nesse show?

Eu acho que o Rebirth é um disco que está no coração de muitos fãs. Para muita gente, foi o primeiro contato com o Angra.

Apesar de a banda já ter uma história de muito sucesso antes da nossa entrada, o Rebirth teve uma importância muito grande para angariar novos fãs.

Você conversa com pessoas de uma certa geração e a principal referência delas ao Angra é justamente desse disco em diante, não do Fireworks para trás.

E eu acho que vai ser muito nostálgico para essas pessoas poder reviver essa época. Foi um período que começou com muita incerteza quando o disco foi lançado, porque eram três integrantes novos, relativamente desconhecidos, entrando em uma banda já icônica e com carreira internacional.

Ao longo da turnê a gente percebeu uma ascensão muito rápida. Vimos como deu certo, como havia química entre nós e como as pessoas se conectaram com as músicas. Aquilo acabou se tornando parte da identidade do Angra.

Acho que o show vai resgatar justamente esse sentimento daquela época que foi tão importante para todo mundo.


No ano passado você participou do Dream Theater Live Experience na Colômbia. Sabendo que o Dream Theater foi uma grande influência para você, especialmente na época do álbum Awake, como você acha que o Felipe de 15 anos reagiria ao ver tudo isso acontecendo hoje?

Cara, eu gosto muito de prestar esses pequenos tributos às bandas que me fizeram ser quem eu sou como músico.

E mais do que isso, eu gosto de tocar. Sempre que alguém me chama e fala “vamos tocar?”, meu reflexo é responder sim, porque eu gosto de tocar.

Quando um amigo da Colômbia me convidou para ir lá tocar músicas do Dream Theater, eu pensei: por que não?

Claro que tem muitas coisas que o Felipe de 15 anos jamais imaginaria que iam acontecer. Eu decidi ainda adolescente que queria ser músico para sempre, mas nem nos meus melhores sonhos eu imaginava que chegaria onde cheguei.

Eu sempre digo que a carreira que eu tenho é uma realização constante do sonho daquele adolescente: viajar pelo mundo tocando com a minha banda, vivendo de música e tendo experiências incríveis.

Por exemplo, tocar na banda do Mike Portnoy. Isso é algo que eu jamais imaginaria que aconteceria.

Então eu me sinto muito privilegiado por todas as experiências que tive e por tudo que a música me proporcionou.


Falando do começo da sua trajetória: é verdade que você inicialmente queria ser baterista, mas acabou se tornando baixista quase por acaso?

Na verdade eu comecei estudando violão. Já tocava há algum tempo quando surgiu um festival na minha escola.

O pessoal montou uma banda para tocar nesse festival, mas não tinha baixista. Um grande amigo meu, o Marcelo Cortez, o Magal, que hoje é baixista do Biquíni Cavadão, estudava comigo e falou: “cara, você já toca violão, por que não vem tocar baixo com a gente?”

Então eu fui, comprei um baixo para fazer aquele show e acabei me dando muito bem com o instrumento. Depois disso nunca mais larguei.

Basicamente foi assim que tudo começou.


Pensando nesse grande show no Bangers Open Air, que aparentemente será um evento único, isso pode influenciar de alguma forma o futuro do Angra?

Não sabemos, porque tudo depende de como as coisas vão acontecer.

A gente está trabalhando para que seja o melhor possível, mas não dá para prever o futuro. Se for muito legal e surgir vontade de fazer mais coisas, por que não?

Mas neste momento o Angra continua sendo o Angra como sempre foi.

Claro que estamos em um certo hiato, mas ao mesmo tempo temos aceitado alguns convites que achamos interessantes. Por exemplo, vamos tocar no Porão do Rock e também fazer um show em Paris.

Foram convites muito legais que não quisemos recusar. Mas não existe um grande plano traçado agora. Vamos ver como as coisas se desenrolam.


Nesse meio tempo, você pretende se dedicar a algum trabalho solo ou focar em outros projetos?

Eu quero sim fazer um disco solo. Está difícil porque ele está concorrendo com muitas outras coisas no momento.

Inclusive estou envolvido na construção da minha casa, o que já toma bastante tempo.

Então estou tentando encaixar o disco solo no meio dessa confusão, mas ainda não consegui dedicar o tempo necessário.

Ao mesmo tempo continuo com vários projetos: shows com o Matanza, apresentações com o Kiko, a turnê Master Voices com Edu Falaschi, Eric Martin, Jeff Scott Soto e Tim “Ripper” Owens.

Minha agenda acaba se enchendo naturalmente. Então preciso encontrar tempo no meio de tudo isso para ser pai, marido, músico e ainda trabalhar no disco solo.


Para encerrar, que mensagem você deixaria para os fãs que estão ansiosos para esse show no Bangers Open Air?

Eu acho que quem for ao Bangers precisa estar preparado para se emocionar bastante.

Vai ser emocionante para todo mundo: para quem está no palco e para quem está assistindo.

A música é muito poderosa. Quando ela faz parte da história de uma pessoa, é algo impossível de apagar.

Outro dia eu estava com meu filho assistindo alguns vídeos e começou a tocar Patience, do Guns N’ Roses. Ele tem cinco anos e virou para mim dizendo: “papai, essa música me dá vontade de chorar”.

Ele nunca tinha ouvido a música antes.

Agora imagina para alguém que era adolescente na época do Rebirth ouvir essas músicas novamente, 25 anos depois, com a formação reunida.

Tenho certeza de que vai ser um momento muito marcante e emocionante para todos.

Então só digo uma coisa: levem um lenço e estejam preparados para curtir esse show com a gente.


Agradecimentos

Agradeço ao entrevistador Augusto Bernadir e ao Felipe Andreoli pela disponibilidade em compartilhar um pouco de sua trajetória, histórias de bastidores e expectativas para o retorno exclusivo da formação Rebirth do Angra aos palcos.

Também deixo um agradecimento especial à Danielle Monteiro, da Agência Taga, pelo suporte e pela intermediação que tornaram esta entrevista possível.