Em conversa com a Play Rock, Pedro Campos falou sobre sua trajetória no heavy metal, suas influências e a expectativa para o retorno do Hangar aos palcos no Bangers Open Air.
Durante o bate-papo, Pedro relembrou os primeiros passos na música, comentou momentos importantes da carreira e falou sobre artistas que ajudaram a moldar sua forma de cantar.
O início na música…
Perguntei a Pedro como surgiu sua relação com a música e quando ele decidiu que queria ser vocalista.
Ele contou que, na verdade, começou tocando guitarra. Segundo ele, ganhou seu primeiro instrumento do pai quando tinha apenas 11 anos. Com o tempo, porém, percebeu que aquilo não despertava a emoção que ele procurava.
A virada aconteceu após assistir dois DVDs que marcaram profundamente sua trajetória: o registro ao vivo do Guns N’ Roses em Tóquio, durante a turnê Use Your Illusion, e o DVD Ritual, do Shaman.
“Quando eu vi aquilo, pensei: o vocalista é muito mais legal do que qualquer outra função dentro de uma banda. Foi ali que comecei de fato a cantar.”
O concurso do Soulspell
Outro momento importante na trajetória de Pedro foi sua participação no concurso promovido pelo Soulspell.
Ele contou que participou da primeira edição em 2009, realizada no Manifesto Bar, em São Paulo, mas não conseguiu vencer.
A derrota acabou servindo como motivação.
Pedro lembra que ver a frustração da família naquele momento deu ainda mais força para ele continuar. Ele chegou a dizer ao criador do projeto, Heleno Vale, que se houvesse outro concurso ele voltaria para vencer.
A oportunidade surgiu em 2011, no antigo Blackmore Rock Bar, também em São Paulo.
“Dessa vez eu estava com muito sangue nos olhos para ganhar.”
Na apresentação decisiva, Pedro interpretou “Wasted Time”, do Skid Row, e recorda que a reação do público foi intensa.
“O Blackmore veio abaixo.” Quem me entregou o prêmio foi o Tito Falaschi, irmão do Edu Falaschi, e eu estava muito emocionado naquele momento.
A relação com o Hangar antes da banda
Durante a entrevista, também perguntei como foi para ele interpretar músicas do Hangar, especialmente no projeto The Best Of 15 Years, lançado em 2014, que revisitou materiais gravados anteriormente por vocalistas como Michael Polchowicz, Nando Fernandes e Humberto Sobrinho.
Pedro explicou que, muito antes de entrar na banda, já era um grande fã do grupo. Ele conta que ouvia constantemente discos como The Reason of Your Conviction e Infallible, e que sua própria voz acabou se desenvolvendo a partir desse repertório.
“Minha voz cresceu com as músicas do Hangar, mesmo antes de eu entrar na banda. Eu estudava o repertório deles o tempo todo.”
Em determinado período, a ligação com o grupo era tanta que até o toque de seu celular era uma música da banda.
“Era ‘Time to Forget’. Quando o Aquiles me ligava para falar de shows, tocava justamente essa música. Então imagina: eu já era fã da banda e o telefone tocava com Hangar quando era ele ligando”, relembra.
Pedro afirma que conhece praticamente toda a discografia da banda de memória, algo raro em sua trajetória musical.
“Foi a única banda na minha vida em que estudei a discografia inteira de cabo a rabo.”
Segundo ele, esse nível de dedicação faz com que hoje seja difícil imaginar entrar em outro grupo.
Caso surgisse um convite de outra banda, a tendência seria recusar, já que, para ele, fazer o trabalho corretamente exigiria estudar toda a discografia do grupo, algo que demanda muito tempo e dedicação.
O projeto Cavaleiros do Zodíaco
Também conversamos sobre o projeto The Cosmus Experience Brazil, que celebrou os 30 anos de Os Cavaleiros do Zodíaco.
Tive a oportunidade de assistir a duas apresentações desse espetáculo, uma em São Paulo e outra em Curitiba, na Ópera de Arame, e quis saber como foi essa experiência para ele.
Pedro contou que sempre foi fã do anime e que participar do projeto foi algo muito especial.
Nos bastidores, segundo ele, um dos momentos mais curiosos era ouvir os dubladores conversando entre si.
“Você ouvia eles falando coisas aleatórias e pensava: ‘olha ali o Shiryu falando, olha o Seiya falando’. Era muito louco.”
O vocalista também destacou o convívio com Edu Falaschi, que participou do projeto e com quem teve a oportunidade de trocar muitas conversas sobre música e trajetória.
Para Pedro, Edu é “um verdadeiro gentleman do heavy metal”.
Revisitar o Spartacus
Outro assunto da conversa foi a recente regravação de material do Spartax, antiga banda de Aquiles Priester.
Perguntei a Pedro como foi revisitar esse material histórico. Segundo ele, o projeto teve um significado especial para Aquiles, que estava curioso para ouvir como seria a nova interpretação da música: “Prisioneiro do Alvorecer”.
Mesmo gravado de forma remota, Pedro em Volta Redonda e Aquiles nos Estados Unidos. O processo contou com diversas conversas para alinhar detalhes da interpretação.
“Quando ele ouviu o resultado final, ficou muito feliz”, relembra.
Durante a conversa, Pedro também revelou que essa música não deve ficar de fora das apresentações ao vivo da banda. Segundo ele, a faixa deve aparecer no setlist do Hangar, o que deve marcar o reencontro do público com esse material revisitado recentemente pelo grupo.
Expectativa para o Bangers Open Air
Também perguntei como está a expectativa para o retorno do Hangar aos palcos no Bangers Open Air.
Pedro disse que a banda está extremamente animada com esse reencontro.
“Não haveria lugar melhor para a gente fazer um show aqui no Brasil que não fosse no Bangers.”
Segundo ele, os ensaios devem começar pouco antes do festival, marcando o primeiro momento em que os integrantes voltarão a tocar juntos após um longo período.
O vocalista lembra que já se passaram cerca de oito anos desde a última vez que a banda se reuniu para tocar, algo que torna esse retorno ainda mais especial.
Para ele, a sensação será praticamente como viver tudo novamente pela primeira vez.
“Vai ser aquela mistura de ansiedade e alegria, como se fosse a primeira vez subindo no palco com a banda.”
Entre as músicas que, na visão dele, não podem faltar no setlist estão:
- Call Me in the Name of Death
- Time to Forget
- Prisioneiro do Alvorecer
A dica para quem quer aprender a cantar
Pedro também falou sobre seu trabalho como professor de canto. Durante a conversa, perguntei que dica ele daria para quem quer desenvolver técnicas vocais ou até criar sons diferentes com a voz, como risadas.
Segundo ele, um dos caminhos possíveis para explorar a voz é justamente a imitação.
“Eu desenvolvi o meu canto através da imitação”, explica.
O vocalista reconhece que alguns profissionais da área não recomendam esse método, principalmente sem uma orientação adequada. Ainda assim, ele acredita que a prática pode ser válida quando feita com atenção e consciência do próprio limite.
Como exemplo, ele menciona um vídeo publicado em seu próprio canal, no qual faz uma dublagem de O Rei Leão, tentando reproduzir ao máximo o timbre original do personagem.
Pedro também diz que a imitação é algo mais comum do que se imagina e faz uma observação direta aos leitores.
“Tenho certeza que alguns dos nossos leitores devem saber imitar alguma coisa. Quem nunca tentou imitar o Silvio Santos, o Faustão ou alguma dessas figuras emblemáticas?”
Para ele, esse exercício de ouvir, observar e reproduzir diferentes vozes pode ajudar muito no desenvolvimento vocal. “Você precisa ouvir bastante, prestar atenção nas nuances e tentar reproduzir aquilo que está escutando”, conclui.
Canal: https://www.youtube.com/@pedrocamposofficial/videos
As maiores influências
Pedi que Pedro citasse cinco vocalistas que considera suas maiores influências.
Ele mencionou:
- Axl Rose
- Sebastian Bach
- James LaBrie
- Timo Kotipelto
- André Matos
Entre todos, André Matos ocupa um lugar especial.
Pedro contou que passou anos tentando reproduzir o estilo e os trejeitos do cantor brasileiro, que sempre foi uma de suas maiores inspirações dentro do heavy metal.
A admiração foi tão grande que ele homenageou o músico dando o nome André ao próprio filho.
Além da influência artística, Pedro também relembra com orgulho os momentos que viveu ao lado do cantor.
“Eu realizei o sonho de moleque que queria ser igual ao cara. Passei anos tentando imitar tudo que ele fazia e depois tive a oportunidade de cantar com ele, gravar disco e DVD e até de estar no palco ao lado dele em vários shows.”
“Mais forte do que nunca”
Pedro também deixou uma mensagem para quem está aguardando o retorno do Hangar.
Segundo ele, o público pode esperar uma banda “mais forte do que nunca”.
“O Hangar sempre teve uma entrega muito grande no palco. Quem já viu nossos shows sabe disso. Vai ser uma oportunidade única para revisitar muitas memórias.”
Agradecimentos
Agradeço ao Pedro Campos pela disponibilidade em compartilhar um pouco de sua trajetória, histórias de bastidores e expectativas para o retorno do Hangar aos palcos.
Também deixo um agradecimento especial à Danielle Monteiro da Agência Taga, pelo suporte e intermediação que tornaram esta entrevista possível.
O reencontro do Hangar com o público brasileiro promete ser um dos momentos mais aguardados do Bangers Open Air 2026.